A PAIXÃO
DE CRISTO
por
Arnaldo Celso do Carmo
04/2004
Acabei de
ver A Paixão de Cristo, o que me fez pensar que talvez
seja oportuno
rever a compreensão que o Trabalho me trouxe sobre o significado
da Páscoa.
Na visão
convencional, defendida com unhas e dentes pelo diretor,
Jesus “sofreu por nossas transgressões, foi esmagado
por nossas iniquidades;
através das Suas feridas nós somos curados”.
Lembrei-me
de ter crescido ouvindo que “Cristo morreu para nos salvar”.
Essa descrição do sofrimento de Jesus, repetida
incessantemente,
sempre me causou um certo desconforto até que, com a maturidade,
pude começar a pensar por mim mesmo e a refletir se havia
algum fundo de verdade nisso.
Hoje posso
afirmar que, para mim, não existe nada mais distante da
verdade
do que a crença num Ser Divino “sofrendo para nos
salvar”.
Que confusão! E que alívio poder ver com clareza!
Na minha visão
atual o sentido da Páscoa está na alegria da ressurreição
de Jesus
e não na sua dolorosa crucificação quando,
apesar das violências reais
que sofria ele era capaz de perdoar seus agressores.
Prefiro as
palavras do Curso em Milagres:
“A significação
real da crucificação está na intensidade
aparente da
agressão de alguns dos Filhos de Deus a outro.”
“...
segundo o julgamento do mundo, eu fui perseguido
mas não compartilhei dessa avaliação de mim
mesmo.
E porque não a compartilhei, não a fortaleci.“
“Escolhi,
para o teu bem e o meu, demonstrar que a
agressão mais ultrajante segundo o julgamento do ego não
importa.”
Ou seja,
”A mensagem da crucificação é perfeitamente
clara:
Ensina só amor, pois é isso que tu és.”
(T,98-101)
Portanto,
quando reflito sobre a vida de Jesus e seus ensinamentos, vejo
que não há lugar
para o sofrimento porque tudo que ele trouxe foi puro amor e alegria.
Todas as suas palavras, suas belas parábolas, suas atitudes,
sempre enfatizaram o lugar central que o amor precisa ocupar nas
nossas vidas.
Jamais se
preocupou em criticar ou atacar quem quer que fosse,
mesmo os seus aparentes “agressores”, embora pudesse
ser firme quando julgava necessário.
Procurou iluminar
a escuridão que reconhecia envolvendo os seus irmãozinhos
pois sabia que eles não a percebiam como ele.
Andavam no escuro sem se dar conta disso e porisso cometiam tantos
erros.
Mas para ele, que conhecia a Verdade e que compartilhava da Presença
constante do Pai,
esses erros eram apenas como travessuras de meninos levados que
precisavam ser corrigidos, nada mais.
Jamais justificavam
o ataque ou a raiva de qualquer tipo
nem podiam ameaçar a Realidade Perfeita tal como foi criada
por Deus.
Pude compreender
e começar a aceitar todas essas coisas quando,
com o tempo, fui me envolvendo com os conteúdos do Curso
em Milagres
e permitindo que eles passassem a fazer parte da minha vida diária
e
me ajudassem nas minhas decisões cotidianas, o que é
perfeitamente possível para qualquer um.
Foi como vi,
com facilidade, que a visão convencional apresentada no
tão controvertido filme,
assim como na versão oficial da Igreja, está longe
de refletir a verdade.
Para nós,
pequenos operários do Trabalho, a Páscoa representa
a prova final de que a vida no corpo não esgota nem abrange
todos os tipos de vida que se pode viver.
Estar vivo é muito mais do que experimentar uma vida num
corpo físico.
Existem muitas outras dimensões que estão para além
do que acontece neste nosso lindo Planeta Azul.
Jesus sabia
disso muito bem e demonstrou que era assim quando,
apenas algumas horas depois de ter seu corpo material destruído,
simplesmente reapareceu para os que podiam reconhecê-lo,
na mesma forma de antes.
E pôde fazê-lo porque não guardou nenhum rancor
nem sentiu nenhum medo,
ou seja, manteve-se puro e conectado à Fonte da Vida durante
o que pode ser interpretado
como uma tentação fortíssima de se entregar
à mágoa,a sua crucificação.
Permaneceu
com os seus seguidores por mais 40 dias, a fim de completar o
seu treinamento,
e então os deixou para que, finalmente, pudessem começar
a experimentar
as mesmas coisas que ele havia vivido.
Foi quando aconteceu a “descida do Espírito Santo”
e
os discípulos se transformaram em apóstolos.
Para mim é
essa a sua grande herança:
a possibilidade de conexão simples, direta e contínua
com o Espírito Santo,
deixada para todos igualmente.
Basta realmente
querer e se disponibilizar para que aconteça.
Nenhum segredo!
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