Quando Buda alcançava sua iluminação sentado
tranqüilamente sob a Bodhytree foi tentado de todas as formas
por Mara, o “lorde das trevas”. Muitas mulheres lindas,
sensualíssimas, umas nuas, outras usando vestidos belíssimos,
se aproximaram dele e o provocaram, tentando fazer com que ele
se distraísse da sua determinação de permanecer
em paz.
Neste
momento, com a ajuda delas, Buda percebeu que toda a sua beleza
e sensualidade, toda a atração que exerciam sobre
ele não vinha delas mas de dentro dele mesmo. Que todo
poder que elas poderiam exercer era alimentado por ele mesmo.
E então, suavemente, retirou delas a sua força,
trouxe-a de volta para si e se recompôs inteiramente.
Depois
vieram os ladrões e bandidos que o ameaçaram com
sua violência e brutalidade e, buscando gerar nele o medo
e o desejo por segurança, queriam afastá-lo de sua
determinação de permanecer em paz. E Buda viu, com
a sua ajuda, que todo medo e violência não vinha
deles mas de dentro dele mesmo, que era dele que os bandidos extraíam
o seu poder que depois usavam para ameaçá-lo. E
então, suavemente, retirou deles a sua força, trouxe-a
de volta para si e se recompôs inteiramente.
Vieram os credores que o ameaçaram com cobranças
de dívidas antigas, deste e do outro mundo, e os amigos
magoados com suas faltas cometidas nesta e em outras encarnações,
e exércitos de queixosos, humanos ou não, que o
culparam amargamente pelo sofrimento que ele lhes havia infligido
no passado e o ameaçaram com punições severas
e dolorosas: o fogo do inferno, prisão, humilhações
públicas, desprezo, solidão, e tudo de pior que
se possa imaginar.
Mas então, com
a sua ajuda, Buda viu que todo o seu poder de atacá-lo
e de fazê-lo temer por sua integridade pessoal não
vinha de nenhum deles mas sim de dentro dele mesmo. Que era com
a sua própria força que cada um desses adversários
se alimentava e que era nesta mesma força que se apoiavam
para ameaçá-lo, buscando afastá-lo da sua
determinação de permanecer em paz. E então,
suavemente, retirou deles a sua força, trouxe-a de volta
para si e se recompôs inteiramente.
Toda
energia recuperada fez com que sua mente se abrisse por inteiro
e Ele viu que não precisava fazer nada mais do que simplesmente
impedir que sua força se deslocasse de dentro de si para
aqueles que buscavam afastá-lo do seu objetivo de permanecer
em paz e que todos os seus adversários não eram
reais uma vez que dependiam da sua energia para viver.
De fato, eram todos
criações suas que se alimentavam da sua vitalidade
que roubavam através da importância que ele dava
a elas e que, portanto, dependiam do seu desejo para existir.
Buda então viu que tudo dependia da sua vontade e exerceu-a
plena e definitivamente, fazendo com que todos desaparecessem
para sempre da sua mente, tornando-se o primeiro homem verdadeiramente
livre de que se tem notícia e deixando clara a mensagem
de que qualquer um de nós, a qualquer hora, pode fazer
o mesmo.
Basta ser
capaz de querer!
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