Cynthia
A.L.Almeida
julho/2001
Com
o advento do “apagão” não pude resistir
a tentar descrever como
cada pessoa imersa num determinado nível
de consciência
(descritos no Boletim anterior) avalia sua situação
na prática do dia-a-dia:
O nível mais
básico de consciência é o da “vítima
indefesa”.
Estamos tão acostumados com esta posição
que o apagão veio nos dar um prato cheio para isso.
Existem as vítimas
“deste governo que sabia da crise e não tomou
providências e agora eu é que pago o pato...”;
existem as vítimas “deste país pobre que
não tem recursos para investir em energia...”;
existem as vítimas das “pessoas sem consciência
que esbanjaram energia e agora...”; existem as vítimas
de si mesmas “eu sabia que devia ter ido morar no mato,
sem luz e numa vida mais saudável...ou mudado para a Suíça
enquanto ainda era tempo...”; existem as vítimas
“das empresas que estão acabando com a natureza
e agora ela está dando o troco...”; existem
até as vítimas dos “colonizadores portugueses
que nos ensinaram uma forma extrativista de lidar com a natureza
que agora deu nisso...”
É nesta hora
que podemos ver como o padrão da vítima é
freqüente em nós e em nossa sociedade! E reconhecendo
este padrão, aparece em nós a idéia: “Será
que existe alguma outra forma de se ver isso?”
Neste momento pode-se
iniciar a compreensão de que se o apagão está
aí, reformulando a vida das pessoas, ele deve ter algum
significado que represente crescimento e aprendizado
para cada uma das pessoas que estão envolvidas nele. Pode-se
ter consciência de que esta realidade foi criada por cada
um de nós e em conjunto, com propósitos tanto pessoais
quanto grupais.
Por exemplo: “eu
criei este episódio para poder descansar mais...”
ou “não ligamos mais a TV à noite e as
relações familiares melhoram...” ou “vou
usar isto para aprender a brigar mais pelos meus direitos”
ou “criamos este episódio para perceber que os
recursos da Natureza são limitados e temos que cuidar deles”.
Vou dizer a vocês
qual acredito ser a razão pela qual nós do ISH criamos
o apagão e cabe a cada um de nós tentar analisar
o porquê cada um de nós o criou ...
Nós, do ISH,
acreditamos que esta mudança nos níveis de consciência
que está em curso é muito importante e o apagão
serve para que mais pessoas percebam esta transformação.
“Uma mudança fundamental que deve ocorrer é
que ainda vemos o universo como morto, inconsciente e precisamos
passar a vê-lo como vivo e consciente. Se olhamos o universo
como inconsciente e morto, nós somos o produto do acaso
e é conveniente que vivamos explorando o que está
morto em nosso próprio benefício. Se assumirmos
que vivemos num mundo não vivo então não
existe uma ética mais profunda ou conseqüências
morais para nossos atos que irão além do impacto
físico imediato.” ( Vocês conseguem ver
aqui o embasamento do papel da vítima?).
“Por outro lado, se virmos o universo como vivo e consciente
em suas bases, então somos o produto de uma inteligência
mais profunda que fundamenta toda a existência. Portanto,
só poderemos viver tratando tudo o que existe como “vivo”
e merecedor de grande respeito. Cada ação neste
universo tem conseqüências éticas e reverberações
profundas na teia da vida. Nós precisamos sair do sentimento
de isolamento existencial num cosmos sem vida para a experiência
de conexão profunda com o universo vivo. Desta nova perspectiva
emerge não só uma nova espiritualidade mas também
uma nova política, uma nova cultura, uma nova humanidade.”
*
Vocês não acham que vale a pena tentar mudar o nível
de consciência?
*( Duane Elgin em ”Changes at
Global Consciosness”
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