Estive
em Porto Alegre no Fórum Social Mundial - 2005 e confesso
que fiquei surpresa ao ver tantas pessoas, de tantos lugares do
mundo, unidas sob o mesmo tema “Um Outro Mundo é
Possível”. Isto me fez refletir sobre a inserção
do trabalho do ISH na série de movimentos que estavam representados
no fórum como a cultura de paz, consumo consciente, simplicidade
voluntária, economia solidária, preservação
do planeta, etc.
A afinidade do
ISH com estes movimentos é incontestável pois a
abordagem sistêmica que caracteriza seu trabalho faz com
que todos sejam incentivados a tomar consciência de sua
interconectividade e unidade com o todo. Afinal, estamos imersos
e somos este mundo que apenas parece nos rodear.
Mas o Curso em
Milagres, que é uma das bases do trabalho do ISH, diz:
“...não há sentido em tentar mudar o mundo.
Ele é incapaz de mudar, porque é meramente um efeito.
Mas, de fato há sentido em mudar os teus pensamentos sobre
o mundo pois aqui estás mudando a causa...” Então,
porque tentar mudar o mundo? Porque ir ao FSM? Ou mesmo, porque
fazer o próprio ISH?
Quando lemos a
frase acima parece que tudo o que temos a fazer é sentarmos
em silêncio e tudo mudará. Sim, esta deve ser a resposta
correta, mas então porque viemos a este mundo? Porque quisemos
viver neste corpo, nesta Terra, neste tempo?
Eu acredito que
viemos experimentar TUDO o que este mundo nos permite e aqueles
de nós que estão envolvidos nestes trabalhos citados
acima, estão apenas começando a fazer as
escolhas que o Curso em Milagres propõe e que
nos aproximam da volta para o Ser Divino que é nossa verdadeira
face.
E que escolhas
são estas? Para mim, estamos mais perto de “Casa”
quando escolhemos ser responsáveis por TUDO:
pelos nossos pensamentos, que podem criar paz ou conflito, pelo
mundo que criamos à nossa volta, pelo que consumimos, por
como lidamos com nosso lixo, pelas ações que preservam
ou destroem nosso belo planeta, além de tantas outras coisas.
Aqui vale colocar
uma outra base do trabalho do ISH: todos temos dentro de nós
a lembrança “adormecida” da biologia do amor
(na linguagem do biólogo Humberto Maturana) ou da Casa
do Pai (na linguagem do Curso em Milagres). Esta lembrança
pode e deve ser despertada. Porisso, quando começamos a
perceber que sempre temos escolha entre a paz e o conflito, começamos
a escolher ficar em paz e imediatamente começamos a estender
esta paz aos que estão à nossa volta e daí
é apenas um passo para que nos envolvamos em atividades
que relembrem as pessoas deste potencial que todos temos.
O que percebo
que diferencia o ISH da grande maioria dos trabalhos que vi no
Fórum é que começamos por ficar em paz internamente.
Começamos pela prática da “primeira diretriz
isheana” que pode ser descrita como: “Não fortalecer
nada que leve a nos sentirmos separados uns dos outros.”
E, quando mesmo que apenas por um instante fazemos esta opção
deliberadamente, tornamo-nos irradiadores da paz, da união
e apoiadores destes movimentos de mudança pacífica
da cultura mundial.
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