Por cerca
de dois mil anos, enquanto vivemos a Era de Peixes, as Escolas
de Sabedoria acompanharam a eterna luta entre o bem e o mal e
a reconheceram simbolicamente como representada no ciclo anual
das noites e dos dias, luz versus escuridão. O verão,
quando os dias são mais longos do que as noites, significava
a estação da luz, do bem, enquanto o inverno, em
que a situação se inverte, representava o predomínio
das trevas, do mal.
Se nos lembrarmos que as nossas tradições religiosas
ocidentais foram estabelecidas no hemisfério norte poderemos
compreender porque o Natal é comemorado na noite de 24
de Dezembro. Devemos também nos lembrar de que o Natal
celebra o nascimento de Cristo, não exatamente de Jesus,
como dizem as tradições cristãs, e que Cristo
é compreendido como o Homem Desperto, o Iluminado, Aquele
que tem a Luz e a Sabedoria, ou como nos acostumamos mais a chamá-lo,
o Salvador.
Vinte e quatro de dezembro: no norte o inverno atinge
seu ápice, as noites são as mais longas, os dias
os mais curtos; o mal venceu as virtudes do bem e o povo sofre
sem luz, sem calor e sem esperança.
Nesse momento, por um ato da Divina Compaixão nasce o Salvador,
o Herói, o Amor Supremo, Aquele que vai mudar o curso da
luta.
No dia seguinte, já por Sua interferência, as forças
da escuridão começam a retroceder: o dia fica um
pouquinho mais longo e a noite um pouquinho mais curta. Daí
em diante, naturalmente, o avanço das forças da
luz é firme e inexorável. Mas as sombras ainda continuam
predominando embora o cenário da batalha esteja se modificando
dia a dia.
Três meses de muitos conflitos depois, quando finalmente
a vitória se aproxima, o Salvador decide por livre e espontânea
vontade entregar ao povo o verdadeiro presente que veio trazer
e mostrar porque nasceu entre nós.
Generosamente entrega o seu corpo e sua “dignidade”
em “sacrifício”, com o único propósito
de nos mostrar a natureza real da vida que levamos nesta terra.
É “humilhado”, “agredido”, “desprezado”
e “morto” mas, algumas horas depois reaparece mais
belo e cheio de luz do que nunca, mostrando que nada de fato havia
acontecido, que nada podia atingi-lo. Toda vida é eterna!
Ele sabe que poucos o compreendem, mas não se preocupa
com isso pois está trabalhando num nível energético
muito acima do visível. A liberação de energia
que seu “sacrifício” causa através da
compreensão que torna possível daí em diante,
dá o impulso final para que as forças das trevas
sejam definitivamente vencidas e possamos chegar à Primavera.
Os dias passam a predominar novamente sobre as noites, a luz é
soberana, a vida canta sobre a terra e o povo volta a ser feliz.
O Herói se vai pois só é necessário
nas épocas de escuridão.
Aqueles que compreendem o processo e o vivem em suas vidas são
salvos, vivem a plenitude dos seus potenciais humanos e deixam
esse mundo para nunca mais voltar. São recompensados com
o Céu. Os que não o compreendem terão uma
nova chance pois o ciclo está pronto para recomeçar.
No entanto, os verdadeiros significados do Natal e da Semana Santa
permaneceram ocultos durante toda Era de Peixes que agora termina
para dar lugar à Era de Aquários, a Era do Saber,
quando então tudo será revelado claramente. Mas
essa já é uma outra estória,...
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