Talvez seja uma simplificação mas
acho que podemos compreender a
empatia como a capacidade de nos colocar no lugar do outro
e de compartilhar seus sentimentos.
Impossível
não pensar no Curso em Milagres (CM) como uma referência.
Já no início do texto da página 350, ele
detona:
”Sentir empatia não significa unir-se em
sofrimento, pois é isso o que tens que te recusar
a compreender. Essa é a interpretação do
ego acerca da empatia... (...) O Espírito Santo (que,
segundo o CM, é a parte de nossa mente que está
ligada à Mente de Deus) não se une à
dor, compreendendo que a cura da dor não se dá
através de tentativas delusórias de entrar nela
e aliviá-la por compartilhar a delusão”.
UAU! Que
lindo! Só que é diferente de tudo o que eu ouvi
durante toda a minha vida.
O CM está dizendo que o ego usa a empatia para reforçar
o sofrimento no mundo e
assim garantir a sua sobrevivência, claramente às
custas da nossa felicidade.
E essa pode ser definida como a falsa empatia:
a que identifica o sofrimento no mundo, nas pessoas,
acredita nele e une-se a ele.
Claro que muitas vezes disfarçada ou misturada com a
melhor das boas intenções.
Acho que a maioria de nós é freguês desse
truque: agimos com a melhor das intenções sem
nos dar conta do verdadeiro efeito das nossas atitudes.
Um olhar que reconheça a existência do menor sofrimento
que seja cria também, com o mesmo gesto, um mundo de
separação e infelicidade no qual aquele que olha
e
aquele que é olhado estão condenados a viver.
Não há como escapar.
Sabe aquela dorzinha que a gente sente quando vemos alguém
sofrendo? Pois é essa mesma.
É disso que estamos falando. É esse o perigo.
O julgamento e a condenação instantâneos.
Não nos damos conta do poder que está dentro de
nós, ou seja, das nossas mentes,
mas esse exemplo ajuda a clarear um pouco.
Um sentimento pequeno, simples, corriqueiro, tão comum
que já nem
percebemos mais e que acontece milhares de vezes todos os dias.
cria e recria continuamente um mundo baseado na separação
e no sofrimento inevitáveis.
Well,... isso é que é poder meus amigos.
Mas o CM não está com isso querendo dizer que
a atitude “certa”, quando nós vemos,
por exemplo, um menino pedindo esmolas na rua, seja passar reto
sem prestar atenção
ou dar-lhe uma bronca por ele não estar usando o seu
poder de criar uma realidade melhor para si.
Não é nada disso. Não significa que temos
que ignorar o sentimento que vai dentro do outro.
Muito pelo contrário. Significa apenas que se estivermos
fazendo a nossa parte e mantendo a paz dentro de nós,
então não iremos acreditar no seu sofrimento ou
qualquer outro sentimento que seja.
E se não acreditarmos nele não estaremos contribuindo
para que o seu sofrimento seja real nem condenando-o, e a nós
mesmos junto com ele, a viver dentro dessa realidade de solidão
e conflitos.
Poderemos dar todas as esmolas ou trabalhar em quaisquer ONGs
envolvidas com a problemática social que quisermos desde
que estejamos fazendo a nossa parte.
O Curso em Milagres garante – e na minha experiência
já confirmei isso centenas de vezes – que se estivermos
conectados com a nossa Verdade, a nossa Paz interior, então
as nossas atitudes não gerarão mais conflito.
Pelo contrário, todo nosso poder, que já vimos
é muito grande, estará alinhado no sentido correto
de trazer a Liberdade aos que se relacionarem conosco. Felicidade
e não tristeza.
Seremos uma fonte de Luz para todos, inclusive para nós
mesmos.
Muito justo! Olhamos e não vemos ninguém sofrendo
realmente.
Vemos sim, gente acreditando que está sofrendo, vivendo
uma fantasia de carências.
Não compramos mais a tragédia de ninguém.
E só então poderemos realmente ajudar os que acreditam
que estão em sofrimento, da maneira que nos parecer melhor.
Antes não. Antes estávamos apenas aprofundando
o seu conflito. E junto com o deles, o nosso.
Ver a Verdade do outro – sua Perfeição
sem limites -
em qualquer situação específica que seja,
essa é a Verdadeira Empatia.
O segredo todo está em “fazer a nossa parte”.
Isso significa que teremos que
abrir mão dos referenciais do ego que têm nos guiado
durante toda a nossa vida.
E ele certamente não vai permitir que isso aconteça
sem luta. Vai tentar nos convencer de que,
sem ele, tudo será um caos e criar muitos “bons
e nobres” motivos para que a gente
desista dessa tentativa fútil de sermos livres e felizes:
“Olha lá aquele coitadinho. Você não
vai fazer nada?”
“Vamos ajudar aquela gente pobre e que vive sem esperanças
(nós, que somos mais bem sucedidos e temos muitas oportunidades
na vida).”... etc.
A opção entre a verdadeira ou a falsa
empatia é uma decisão íntima
e impossível de ser evitada.
Estamos sempre escolhendo uma ou a outra em cada pequeno gesto,
cada palavra, cada olhar.
Acredito que Jesus, nosso modelo mais popular de Homem Perfeito,
apoiava a sua estratégia de cura na opção
contínua e impecável pela verdadeira Empatia,
que ele compartilhava com todos que permitiam.
Era preciso que eles aceitassem sua ajuda e, assim, eram imediatamente
curados
porque 2 pessoas – Jesus e o “doente” –
agora os viam como Inocentes e Perfeitos.
E assim se tornavam.
Quando optamos pela falsa empatia, muitas vezes acreditando
que estamos ajudando “o outro”, de fato estamos
tirando o poder da situação e optando pela fraqueza.
No ambiente da falsa empatia coexistem os frágeis, os
sofredores e os culpados e
é nessa realidade que acreditamos quando optamos por
ver os nossos irmãozinhos
como vítimas indefesas de forças muito além
da sua capacidade de controle.
E, se acreditamos, criamos um mundo onde a fraqueza é
regra natural que rege os relacionamentos.
Ou seja, a falsa empatia é, na verdade, um ataque, um
ato de desamor e o “herói”, alguém
que expressa seu medo de maneira dissimulada.
Já a verdadeira empatia recupera o poder da situação
e o coloca nas mãos de quem
ele pertence por direito: eu e você.
Aqui somos fortes e temos o direito de viver nossas dificuldades
sem sermos criticados e julgados incapazes.
Temos espaço para desenvolver capacidades, descobrir
como somos livres e criativos.
E nessa liberdade podemos expressar nossas conquistas compartilhando
confiança e alegria
com os nossos irmãozinhos que ainda acreditam que estão
sós e sofrendo.
Aproximamo-nos deles com respeito e compaixão e permitimos
que,
com a ajuda do nosso olhar confiante, descubram seus próprios
talentos.
E nos surpreendemos, sempre, em reconhecer como são muitos
e variados.
No ambiente da verdadeira empatia não há sofrimento
real nem vítimas indefesas
porque nenhuma experiência acontece por acaso e cada circunstância
que “parece nos acontecer”
traz à nós o desafio perfeito que temos que enfrentar
no
estágio de crescimento em que nos encontramos.
A escolha pela Empatia verdadeira é a expressão
natural do Amor.
Se você está pensando que não é fácil
praticar essa tal de Empatia verdadeira, tenho que concordar.
Mas se está pensando que é impossível para
você, discordo frontalmente
. É que, no fundo, no fundo, ainda desconfiamos do Criador...
Pode?
Mas ouve o que o CM tem a dizer sobre isso:
“Não estás certo de que Ele fará
a Sua parte, porque nunca fizeste,
até agora, a tua completamente.”
Humm,... doeu? Brincadeira!
Bom,... aí está a dica. Fazer a nossa parte.
Tudo é uma questão de prática. De optar
corretamente e praticar. Primeiro precisamos compreender como
as coisas se passam e só então podemos fazer as
nossas escolhas conscientemente.
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