Arnaldo
Celso do Carmo - 23/01/07
Sempre acreditamos
que a nossa felicidade depende das coisas que nos acontecem
e das situações que surgem em nossas vidas.
Na realidade, a nossa felicidade está mais relacionada
à maneira como lidamos com as coisas que nos
acontecem e com as situações nas quais nos encontramos.
Esse pequeno detalhe introduz uma enorme diferença na
maneira
como nos sentimos em relação à vida.
Enquanto que no primeiro caso não havia nada a fazer
a não ser esperar que as situações externas
fossem favoráveis para então termos alguma chance
de experimentar a felicidade, no segundo introduzimos um elemento
novo que nos oferece a chance de ganharmos algum controle sobre
como vivemos a nossa vida, se tensos ou relaxados, se felizes
ou infelizes.
Esse elemento novo é a possibilidade da ESCOLHA.
O pressuposto básico de nosso Trabalho é que,
antes de provocar uma resposta, qualquer estímulo, interno
ou externo, passa pela mente humana que, então, tem a
possibilidade de escolher a reação que mais lhe
agradar.
No entanto, o momento da escolha é tão rápido
que normalmente não nos damos conta da sua existência
e de que podemos sentir e agir de formas diferentes das que
estamos acostumados. Perdemos a encruzilhada da escolha.
Este processo vem
se repetindo sem a participação da nossa consciência
há tanto tempo que permitimos que ele se tornasse totalmente
automático, e hoje,
na prática, agimos como robôs, que sempre respondem
da mesma forma
aos mesmos estímulos.
Acostumamo-nos tanto com essa situação que passamos
a acreditar que essa é a maneira normal de tudo acontecer.
Certos estímulos produzem sempre certas respostas; outros
estímulos produzem outras respostas e assim por diante.
Nosso trabalho propõe uma abordagem muito simples
na verdade, e tão acessível que qualquer pessoa
pode experimentar e constatar por si mesmo que ela é
verdadeira: as nossas respostas aos diversos estímulos,
sejam os vindos da memória, da imaginação
ou os provocados pelo meio ambiente - muito daquilo
que nos acostumamos a acreditar que compõe a nossa “maneira
de ser” - podem ser conscientizadas e transformadas,
se assim for o nosso desejo.
Através da prática de exercícios simples
começamos a desenvolver a capacidade de flagrar o momento
da escolha, no instante em que ele acontece. Aprendemos a criar
um pequeno “espaço de reflexão”, muitas
vezes com a duração de alguns segundos, como o
período de uma respiração, mas já
suficiente para introduzir o primeiro elemento transformador
no processo: a nossa consciência, que agora participa
da decisão entre ficar tenso e reagir como sempre ou
gerar algum grau de relaxamento e agir como achar melhor.
As respostas automáticas, são sempre reativas
e, como tal, têm um potencial muito grande de produzir
sofrimento. Já as respostas mais conscientes, ativas,
trazem consigo a semente da felicidade.
O nosso propósito não é dizer a ninguém
como deve se comportar diante dessa ou daquela situação.
Técnicas que insistem em abordagens desse tipo acabam
tornando-se enfadonhas e frequentemente não produzem
o efeito desejado.
Nós não temos como saber qual é
a melhor resposta para todas as situações específicas
vividas pelos indivíduos
mas cada pessoa sim sabe o que é melhor para si mesmo.
Porisso todo o nosso empenho está em ajudar cada um a
desenvolver a habilidade de ganhar nem que sejam alguns segundos
para observar o que se passa,
produzir alguma resposta de relaxamento no corpo e na mente,
e
então escolher o melhor caminho a tomar.
Na nossa experiência pessoal, embora tudo se passe muito
rapidamente, o exercício contínuo dessa prática
simples leva a decisões mais adequadas e eficientes,
mesmo diante de conflitos aparentemente insolúveis.
Muitas vezes, mesmo sendo capazes de observar o que se passa
e sabendo qual o melhor caminho a seguir, ainda não conseguimos
tomar a melhor decisão, tal é o automatismo que
nos domina há tantos anos.
A prática contínua e paciente da auto-observação
e a determinação sincera de conseguir resultados
diferentes dos habituais acabam por levar ao desenvolvimento
do segundo elemento transformador:
nossa vontade, que finalmente permite que sejamos capazes de
fazer as escolhas que trarão mais paz e felicidade.