Muito
se fala a respeito de conhecer a si mesmo e compreender o mundo.
Mas, o que é este conhecer, como chegar a entender esse
imenso conjunto de fatores que se interligam numa imensa rede?
Acredito
que estamos profundamente conectados com a realidade à
nossa volta e estamos em cada instante, em cada ato, em cada pensamento
criando esta realidade.
Porisso
a tradição judaico-cristã diz que “Deus
criou o homem à sua imagem e semelhança”.
Temos o poder de criar e, mesmo que não nos demos conta
disso, somos co-criadores deste mundo!
A tomada de consciência disto se torna cada vez mais urgente
e assumir esta responsabilidade se torna cada vez mais necessário.
Acredito
que podemos perceber alguns passos neste processo de tomada de
consciência:
1. Consciência zero:
Corresponde
ao estado de total identificação com o que se está
vivendo. Poderíamos dizer que neste estágio tudo
parece nos acontecer. Não somos capazes de perceber nossa
influência em tudo o que nos acontece. Somos joguetes à
mercê de forças externas e internas e reagimos com
total impotência em relação a tudo.
É
o estado da “vítima indefesa”: “O governo
acabou com a minha vida”, “Ele me traiu”, “Se
ao menos ela tivesse feito diferente...”, etc.
2. Tomada de consciência:
Corresponde
a um estado de alerta onde percebemos que deve haver outra forma
de estar no mundo. Continuamos no estado de “vítimas
indefesas” mas agora refletimos sobre as razões pelas
quais tudo acontece como acontece. Começamos a ver o mundo
e a nós mesmos como objetos de estudo e avaliação.
3. O início da compreensão:
Corresponde
ao momento onde começamos a identificar em nós mesmos
e no mundo certos padrões, certas leis. Começamos
a observar o mundo e a aprender com cada experiência que
nos ocorre. Tudo vira objeto de nosso estudo. Ainda estamos identificados
com nosso personagem, mas começamos a ter uma consciência
separada dele. Podemos observá-lo de fora.
4. A compreensão dos significados:
Corresponde
ao estado em que os padrões de comportamento e as leis
que regem este mundo se tornam tão claros que podemos separar
aqueles que nos servem bem daqueles que não mais se adequam
a nós. É o ponto onde começamos a fazer escolhas
conscientes. Estamos vendo os significados e as consequências
de nossas escolhas. Percebemos nosso papel de co-criadores da
realidade e ensaiamos os primeiros passos no sentido do que queremos
atingir. É o momento da separação do joio
e do trigo, tanto externa quanto internamente. Percebemos como
certos pensamentos vão na direção que queremos
e como outros nos desviam dela. Temos um quadro claro da realidade
e de nossa posição dentro dela.
5. A transformação da realidade:
Corresponde ao homem desperto, o verdadeiro ser humano. Agora,
ele não é mais um joguete à mercê de
forças externas ou internas mas tomou para si o papel de
autor. Ele percebe que escreve os personagens, ele mesmo e os
outros (sempre em conjunto, é claro) e os vive em sua plenitude.
Assume plena responsabilidade por tudo o que lhe acontece pois
sabe que teve participação ativa em tudo o que está
vivendo.
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