As raízes da violência
Cynthia
A. L. Almeida
10/2001
Uma
pergunta que tem aparecido com uma freqüência
cada vez maior em nossos dias é:
“O
que gera a violência?”
Muitas razões
têm sido enumeradas: a pobreza, a má distribuição
de renda, o altíssimo ideal de consumo de nossa sociedade,
o predomínio do TER sobre o SER como critérios de
valor do ser humano, etc. Mas estas, em minha opinião,
são apenas conseqüências. Acredito que a verdadeira
causa está dentro de cada um de nós.
Quando nascemos não temos conceitos como certo ou errado,
melhor ou pior, normal ou anormal, feio ou bonito. Contentamo-nos
em apenas SER.
Aos poucos, num processo
que os toltecas chamam de “domesticação”,
vamos aprendendo a “sonhar” o “sonho coletivo”
compartilhado por todos à nossa volta: pais, irmãos,
parentes, amigos.
Deixamos então
nosso estado de apenas SER sem adjetivos e iniciamos um longo
e doloroso processo de nos adequar a um modelo de normalidade
e perfeição compartilhados. O filósofo Espinosa
se perguntava: “Uma pessoa que nasce cega tem uma deficiência,
uma imperfeição ou está apenas experimentando
este mundo de uma forma diferente da maioria?”
Esta questão dá origem a muitas outras:
Em que momento de nossas
vidas passamos a nos considerar feios, magros, anormais, burros,
superiores, bonitos, gordos, inteligentes, normais, inferiores?
Em que momento deixamos
de lado o simplesmente SER e passamos a fingir que somos algo
que não somos para parecermos normais e sermos aceitos?
Em que momento abandonamos
nossa perfeição divina e passamos a nos sentir seres
incompletos que necessitam de “falsos deuses” (dinheiro,
beleza, poder, cargos, títulos...) para sentir que tem
valor?
Estamos, portanto,
imersos neste sonho compartilhado que violenta nossa verdadeira
natureza, coloca a todos nós na camisa de força
de uma pretensa normalidade e nos ensina a ser intolerantes com
tudo aquilo que difere deste padrão.
O primeiro passo para
nos libertar ( se quisermos, é claro!) é tomar consciência
desta imersão e, se isto não é o que queremos
viver, criar um novo sonho.
E como fazê-lo?
Para mim, a atitude que quebra esta cadeia de violência
é a de um respeito profundo chamado de PERDÃO (segundo
o conceito de Um Curso em Milagres). Devemos nos perguntar a cada
momento: consideramos cada pessoa como tendo valor e dignidade
próprias? Ou as desvalorizamos sutilmente (ou às
vezes nada sutilmente ) com nossas atitudes e comportamentos para
nos fazermos “melhores” que elas? Respeitamos os valores
e atitudes do outro ou acreditamos que todos seriam mais felizes
se nos fosse permitido selecionar para eles seus objetivos?
A escolha ( como sempre!!!
) é nossa: podemos começar a praticar a tolerância,
a aceitação, o não-julgamento, enfim, o perdão
ou vamos fazer parte desta rede de julgamentos arbitrários
que, no início, parece tão inofensiva mas que vai
crescendo formando uma cadeia de intolerância que culmina
com acontecimentos como o bombardeio das torres em Nova York ou
a guerra no Afeganistão?
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