Arnaldo
Celso do Carmo - 07/2003
Nos dias 12 e 13 de Julho o ISH promoveu um encontro
que acreditamos vai ficar como um marco importante.
Cerca de 24 pessoas envolvidas com o Trabalho Sobre Si Mesmo
se reuniram em Pedra Bela e se dedicaram inteiramente a
praticar uma forma incomum de se relacionar uns com os outros.
Muitas decisões foram tomadas, muitas práticas que
já eram comuns ficaram claras
e todos puderam ajudar no esclarecimento dos rumos que o ISH tomará
nos próximos tempos.
No tecido dessa reunião o trabalho mais importante foi
realizado.
Praticamos ouvir atentamente, expressar sinceramente o
que nos parecia mais adequado e, principalmente, exercitamos,
de forma determinada,
o não permitir que o ego assumisse o controle do processo.
Foi lindo observar nitidamente nossos pequenos egos se
debatendo dentro de cada um, tentando dominar a energia do encontro
e ditar a maneira como as decisões seriam tomadas
e a maestria e sinceridade dos hermanos em mantê-los distantes
dos pontos centrais,
evitando com alegria e muita compreensão que eles se manifestassem
nos momentos importantes.
No final o processo aconteceu como outras vezes havia acontecido
conosco
embora nunca com tantas pessoas. Tudo se encaixou!
Resolvemos o que precisava ser resolvido, esclarecemos o que devia
ser esclarecido e organizamos grupos de pessoas que se responsabilizarão
pelos novos projetos
e por manter a coerência conceitual do Trabalho.
Sempre por consenso verdadeiro, sem mágoas
nem disputas.
Acredito que essa seja a nossa melhor contribuição
para o movimento mundial
em direção à nova consciência global
que todos estamos ajudando a estruturar e
que se baseia integralmente no compartilhar e não no competir,
no ser e não no ter.
E lá, naqueles dois lindos dias, presente carinhoso da
Pachamama,
praticamos intencionalmente como pode ser a convivência
entre pessoas
sinceramente interessadas na evolução.
Vimos como essa convivência traz no seu impulso o aumento
da eficiência das realizações
em geral, muita alegria interior e também o progresso material.
Porque tudo, no fundo, é o mesmo e não é
possível se conseguir um sem o outro.
Vivemos essa realidade e voltamos para nossas vidas normais melhores
do que éramos antes.
Aprendemos a deixar nossos egos de lado e
a desfrutar da presença querida dos nossos companheiros.
Na minha opinião esse é o trabalho verdadeiro,
o único que realmente precisa ser feito.
E sabem por quem? Por mim.
Esse sujeito – mim – é o único
que é responsabilidade minha
e o único sobre quem eu tenho alguma influência.
Mas, malandro, durante o encontro eu o flagrei várias vezes
tentando me convencer a tentar mudar a atitude do outro.
Aprendemos que esse – o outro – não
é problema nosso.
Fizemos a nossa parte e tudo correu bem. Esse o ensinamento. Lindo!
Mas eu comecei a escrever prá falar da Diretriz
Primeira e,
descrevendo o encontro, sem querer acabei por apresentá-la.
O principal ponto que esclarecemos – e sobre o
qual todos concordamos alegremente -
foi que o Trabalho do ISH se apóia e se apoiará
sempre numa atitude, interna e externa, de não fortalecimento
do ego ou de sua principal “realização”:
a separação.
Nossos grupos, palestras, práticas e terapias todos já
têm,
e terão os próximos que surgirem, o propósito
de diminuir o enorme poder
que hoje o ego exerce sobre todos nós.
Queremos que todos os envolvidos nas atividades possam experimentar
por si mesmos, num primeiro momento, a vivência em primeira
mão de
estar no mundo com um ego bem trabalhado e controlado.
Para que depois, quando a hora chegar, possamos abandoná-lo
naturalmente,
sem traumas nem sofrimento.
Nosso propósito, na linguagem do Curso em Milagres, é
a Salvação,
ou a Liberdade, como gosto de dizer.
Eu sei que esses são conceitos muito profundos para serem
esgotados
em algumas poucas linhas mas foi porisso mesmo que criamos o ISH.
Arnaldo