“A
chave para a paz mundial externa é a paz interior,
baseada no respeito mútuo,
na compaixão e no amor” (Dalai Lama)
Eduardo
Augusto Camarote
03/2000
Quando
se fala em de paz mundial, nos vem de
imediato a idéia da necessidade do término de conflitos
entre as nações, entre raças e classes sociais,
do fim da violência social e familiar, o fim da miséria,
da fome, das injustiças e de todo o tipo de sofrimento
humano.
A
solução para tudo isto, em geral, é colocada
nas mãos dos governantes, das instituições
ou dos líderes, apesar de não acreditarmos mais
que alguém possa resolver esta situação.
É
interessante constatar onde chegamos, visto que, por um lado nos
tornamos conhecedores profundos do mundo material, da tecnologia
e da ciência, e por outro, não conseguimos solucionar
a maioria dos problemas atuais, que são de nossa própria
criação.
A nossa criação é fruto de uma ilusão,
de uma idéia errada que acalentamos. Acreditamos piamente
que somos separados, indivíduos solitários com nome,
CIC, RG, e como tal, sentimos, pensamos e agimos isoladamente,
isto é, nenhuma destas atitudes interessa a ninguém
além de nós.
E assim, na maior desatenção, pensamos que seremos
felizes sózinhos, que triunfaremos sózinhos, que
sentimos medo sózinhos, e que sózinhos podemos atacar
e sermos atacados, sendo que tudo isto jamais afeta a alguém
a não ser nós mesmos. Não percebemos que
muitos fazem o mesmo, afinal isto é tão comum e
que, com esta atitude, estamos criando uma realidade triste e
solitária para todos nós.
Em outras palavras, somos os responsáveis diretos pelo
mundo à nossa frente, pois o que fazemos, sentimos e pensamos,
constitui tudo o que podemos ver. Quando nos tornamos conscientes
disto tudo muda, pois vemos que somos importantes e que a nossa
felicidade faz uma enorme diferença em todo o planeta,
então começamos a deixar a solidão de lado.
Este passo é perfeitamente possível, mas para acontecer
é preciso focarmos a atenção no que ocorre
no mundo interior e nossa consciência se amplia junto com
a nossa compreensão, e esta é fruto de uma atitude
interna de silêncio, de comunhão e de amor. Então,
a consciência ampliada diminui distâncias, aterra
abismos e acaba com o sentimento de separação.
É imperativo buscarmos a unidade com a criação,
com a essência de tudo o que existe, pois disto surge a
visão real do Universo com suas leis eternas, as quais
não foram criadas por nenhum ser humano. Nesta permanência
do que é essencial encontramos nosso próprio lugar,
nossa união com tudo o que está criado e a Paz eterna.
Topo